LGPD aparece como condicionante para investimento milionário no programa Shark Tank

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Na última segunda-feira (28), foi ao ar mais um episódio de um dos maiores programas de televisão sobre empreendedorismo do país, o Shark Tank. O programa oferece aos participantes a oportunidade dos mesmos apresentarem suas ideias de negócios para grandes investidores – os “Tubarões”- na expectativa de conseguir aportes financeiros que alavanquem o negócio.

Frente a investimentos que chegam na casa das dezenas de milhões, é bastante comum que os “Tubarões” façam algumas exigências condicionantes ao investimento. Pela primeira no programa, o compliance à LGPD foi citado como um dos principais requisitos para que o investimento fosse realizado.

 A startup 

O participante da vez, o empreendedor Fernando, é o idealizador de uma empresa que automatiza serviços de distribuição de sampling. Ele foi ao programa em busca de um investimento de 2 milhões de reais em troca de 15% de participação do investidor em sua empresa. 

Segundo o próprio descritivo do episódio, a “Amostrix” é uma startup que atua na área de varejo com um equipamento tecnológico que aborda pessoas em eventos e estabelecimentos, coleta informações pessoais dos transeuntes e oferece amostras grátis de produtos. A principal ideia da startup é automatizar um trabalho geralmente realizado por pessoas físicas, além de gerar um rico bando de informações durante o processo.

Fabricada pela própria Amostrix, a máquina detém uma série de recursos tecnológicos de  coleta de dados, incluindo dispositivos conectados à internet, câmera e sensores de movimentos. Os aparatos detém uma só finalidade: coletar a maior quantidade de informação possível da pessoa interessada nas amostras grátis e disponibiliza-las como forma de ativo à empresa contratante.

 A preocupação com a LGPD

Questionado logo no início de sua explicação por um dos investidores a respeito da legalidade das ferramentas, o empreendedor garantiu que, tanto o jurídico interno da Amostrix quanto o de seus clientes estavam de acordo com a tratativa realizada pela empresa.

“Mas você não gera um certo tipo de dashboard, de inteligência… pra empresa que te contrata?” 

“Gero sim, Camila”, afirmou o empreendedor. “Existe um cadastro no aplicativo, então a gente [Amostrix] repassa esse cadastro tanto pro parceiro quanto para a indústria que nos contratou.

”“Tá mas você já teve um jurídico validando isso? Porque esse é um assunto de certa forma até sensível né… “

Na sequência, um outro “Tubarão” constatou que a clara vantagem do negócio está na coleta de dados dos usuários que interagem com as máquinas. “Essa é a grande diferença entre você ter uma pessoa distribuindo e você ter a máquina. Quando é uma pessoa ela está distribuindo aleatoriamente, com a máquina o público tem que dar os dados dele. “Na verdade a conta só fecha se tiver esses dados”, finaliza um último investidor. 

Aporte depende da conformidade frente à LGPD

Ao final do episódio, Fernando finalmente consegue o aporte que buscava. Condicionado, contudo, e de forma assertiva pelo seu novo sócio, ao compliance com as diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados em vigor no Brasil.

Nesse sentido, será crucial que todas as pessoas que interagirem com a máquina da startup em busca de amostras estejam completamente cientes de que seus dados estarão sendo analisados e compartilhados com “parceiros” da contratada, bem como qual é, de fato, a finalidade da coleta das informações pessoais do interessado. 

O cenário de preocupação dos investidores exposto no último episódio de Shark Tank levanta um dilema constante da área de proteção de dados: até que ponto a lei permite sermos os produtos?

Assista o episódio:


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